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O músico carioca nasceu no bairro de Botafogo, mas cresceu na Zona Norte, onde, aos nove anos de idade, aprendeu a tocar violão de forma autodidata. Aos doze, ganhou sua primeira guitarra por impressionar a todos com sua musicalidade. Já nesta idade, "bebia em fontes" que iam de Muddy Waters e Jimi Hendrix aos Mutantes e os expoentes da Tropicália. E, entre a fina flor da música brasileira e sua paixão pelo rock e pelo blues, nasceram suas primeiras composições. No fim da década de 90, no auge do Mangue Beat, deixou o Rio de Janeiro e se mandou para Recife, onde pôde vivenciar toda a experiência daquele que foi um dos últimos movimentos significativos, de expressão e inovação na música brasileira. Ele mergulharia de cabeça no âmago da cultura brasileira e a proposta singular do Mangue Beat - de resgatar o folclore e a tradições nacionais numa leitura moderna - deixaria uma marca significativa em sua trajetória, o que pode ser visto e, claro, ouvido até hoje em seus shows, quando funde com maestria singular o peso e a rebeldia do rock e a sensibilidade e a delicadeza de temas nordestinos. De volta ao Rio, ingressou na faculdade de letras, tendo abandonado o curso posteriormente para se dedicar inteiramente à música. Nessa época, foi locutor em um programa que divulgava artistas independentes, numa rádio comunitária. Em sua mais importante entrevista, tocou ao vivo, com a lendária cantora Cassia Éller, a música "Yer Blues", dos Beatles. No ano seguinte, gravou seu primeiro disco, "Eletrorfeu" - nome de sua banda na época - e saiu em turnê com inúmeros artistas, como guitarrista e produtor. No início dos anos 2000, o cenário cultural na histórica região boêmia do Rio estava em baixa, com o Circo Voador ainda interditado e, ainda, sem nenhuma das muitas casas de show que funcionam hoje. Diante dessa situação, Kadu juntou-se a outros artistas que, igualmente, buscavam uma saída nas ruas da Lapa, onde se apresentavam gratuitamente de quinta à sábado. Um dos locais onde sua música varava a noite era o mesmo em que, décadas antes, Jacob do Bandolim fazia sua preciosas rodas de choro. Com isso, aos poucos, o músico foi conquistando público, até passar a ser a grande atração da cidade - com destaque para a matéria na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo -, tornando-se um dos responsáveis diretos pelo resgate de um dos traços culturais mais fortes do povo carioca: a boemia sem fim da Lapa. Em 2007, a banda "Creme Crackers" - Nela, Kadu forma dupla com o também cantor e compositor Sid Mazzei - lançou seu primeiro disco, homônimo, que reúne em seu repertório algumas de suas melhores composições como cantor e guitarrista. No registro do disco, ouvem-se as influências de soul, funk e blues em um interessante "casamento" com o rock. No ano seguinte, o músico produziu, em seu apartamento, um disco inesperado, chamado "Dub Wise Town", junto com o produtor e beatmaker Fernando D e o DJ Lívio Maddalena. Todo o material foi disponibilizado gratuitamente na Internet. Trata-se de um álbum construído na interação entre o eletrônico e o orgânico, uma fusão de beats, guitarras, baixos, pianos, e sintetizadores. No verão de 2011, o músico foi para a Europa, passando por Alemanha, Holanda, e Inglaterra, com destaques para duas apresentações memoráveis nas cidades de Groningen e Leeuwarden, além de uma entrevista ao vivo em Londres, no estúdio da "NTS Radio", na qual tocou cinco canções e respondeu a inúmeras perguntas enviadas via twitter pelos ouvintes. Em breve, o músico lança seu primeiro disco solo, que terá, entre canções próprias, uma releitura de "How do you sleep?" (de John Lennon), faixa lançada em abril de 2009, no CD "Letra & Música John Lennon", produzido pelo pesquisador musical Marcelo Fróes e lançado por seu selo, o "Discobertas".